Erros de quem está começando a empreender e como evitar?

Quem está começando a empreender pode cometer erros por falta de experiência, informação ou simplesmente porque ainda está aprendendo como...

Publicado em24/09/2026

Atualizado em01/10/2026

Tempo leitura19min 9s

PorJuliana Bārradas

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Erros de quem está começando a empreender e como evitar?

Quem está começando a empreender pode cometer erros por falta de experiência, informação ou simplesmente porque ainda está aprendendo como clientes, dinheiro e operação se comportam na prática.

Alguns problemas aparecem com frequência: investir antes de testar a demanda, misturar dinheiro pessoal e empresarial, cobrar sem conhecer os custos, esperar que os clientes apareçam sozinhos ou tentar crescer antes de organizar a operação.

Isso não significa que todo erro leva uma empresa ao fechamento.

Mas identificar essas situações cedo pode reduzir prejuízos e facilitar ajustes antes que o negócio assuma compromissos maiores.

Neste artigo, nós mostramos os principais erros de quem está começando a empreender e como evitá-los na prática.

Se você ainda está organizando os primeiros passos, veja também nosso guia sobre como empreender do zero.

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Neste artigo você vai entender

1. Investir antes de validar a ideia

Um erro comum é construir toda a estrutura antes de descobrir se existe demanda suficiente.

Isso pode incluir gastos com:

  • estoque elevado;
  • escritório;
  • equipamentos;
  • site complexo;
  • equipe;
  • identidade visual cara;
  • softwares que ainda não são necessários.

O problema não está em investir nesses itens.

Está em fazer isso antes de entender se clientes realmente reconhecem valor na solução.

Como evitar?

Comece pelas perguntas:

  • qual problema estou resolvendo?
  • quem possui esse problema?
  • como essa pessoa resolve hoje?
  • ela pagaria por outra solução?

Depois, teste a ideia com uma versão inicial.

Pode ser:

  • um projeto-piloto;
  • uma pequena produção;
  • uma turma inicial;
  • um serviço entregue manualmente;
  • uma pré-venda adequada à operação.

Veja em detalhes como validar uma ideia de negócio antes de investir.

2. Apaixonar-se pela solução e esquecer o problema

Gostar muito da própria ideia pode dificultar a percepção de que o cliente talvez queira algo diferente.

O empreendedor pode passar meses:

  • adicionando funcionalidades;
  • melhorando detalhes;
  • criando novos produtos;
  • aperfeiçoando a apresentação;

sem verificar se aquilo resolve uma necessidade prioritária.

Como evitar?

Converse com clientes e procure entender comportamentos reais.

Pergunte:

  • como você resolve isso atualmente?
  • quanto esse problema incomoda?
  • já tentou alguma solução?
  • quanto costuma gastar?
  • o que mais valoriza?

Use essas informações para ajustar a oferta.

3. Misturar dinheiro pessoal e dinheiro da empresa

Quando tudo entra e sai da mesma conta sem controle, fica difícil saber se o negócio realmente está dando resultado.

Você pode acabar:

  • pagando despesas pessoais com recursos da empresa;
  • cobrindo gastos empresariais com dinheiro pessoal sem registrar;
  • retirando mais do que a operação suporta;
  • confundindo saldo bancário com lucro.

Como evitar?

Assim que a atividade começar a movimentar dinheiro de forma recorrente:

  • registre separadamente entradas e saídas;
  • separe despesas empresariais das pessoais;
  • utilize meios de pagamento distintos quando adequado;
  • defina como ocorrerão as retiradas;
  • acompanhe o fluxo de caixa.

Não existe uma regra de que toda pessoa precisa abrir uma conta PJ antes mesmo da primeira movimentação.

Mas, depois da formalização e conforme o negócio ganha volume, separar os fluxos financeiros torna a gestão muito mais clara.

4. Retirar todo dinheiro que entra

Faturamento não pertence automaticamente ao empreendedor.

Parte do dinheiro recebido pode precisar pagar:

  • impostos;
  • fornecedores;
  • software;
  • marketing;
  • equipe;
  • capital de giro;
  • outros custos.

O empreendedor precisa separar remuneração pelo trabalho, despesas da empresa e resultado do negócio.

Pró-labore não é lucro

Pró-labore está ligado à remuneração do sócio que trabalha na empresa.

Lucro é o resultado apurado pela atividade.

Confundir os dois pode prejudicar tanto o caixa quanto a organização contábil.

5. Definir preço sem conhecer os custos

Copiar o preço do concorrente ou escolher um valor “que parece justo” pode fazer cada venda gerar prejuízo.

O preço precisa considerar fatores como:

  • custos diretos;
  • custos fixos;
  • despesas variáveis;
  • impostos;
  • taxas;
  • remuneração pelo trabalho;
  • margem desejada;
  • mercado;
  • valor percebido.

Exemplo

Imagine um serviço vendido por R$ 500.

Se para executá-lo existem:

  • R$ 100 em ferramentas e custos diretos;
  • R$ 80 em impostos e taxas;
  • R$ 200 de tempo e estrutura;

não significa que sobraram R$ 500.

É preciso entender quanto realmente permanece depois dos custos considerados.

Como evitar?

Crie uma planilha de precificação e revise os números periodicamente.

O preço precisa ser sustentável para a empresa e aceitável para o mercado.

6. Cobrar barato demais só para conseguir clientes

Preço baixo pode gerar vendas, mas também pode criar um negócio inviável.

Cobrar abaixo do necessário pode:

  • reduzir a margem;
  • atrair clientes muito sensíveis a preço;
  • dificultar aumentos futuros;
  • gerar excesso de trabalho para pouca receita.

Como evitar?

Se o cliente ainda não está disposto a contratar o serviço completo, experimente reduzir o escopo, não necessariamente o valor da sua hora ou da sua entrega.

Por exemplo:

Em vez de oferecer uma consultoria completa muito barata, venda um diagnóstico inicial menor.

7. Achar que um bom produto vende sozinho

Ter qualidade não garante que o público descobrirá sua empresa.

No início, o empreendedor precisa definir como as oportunidades serão geradas.

Os canais podem incluir:

  • prospecção;
  • indicações;
  • parcerias;
  • conteúdo;
  • Google;
  • redes sociais;
  • marketplaces;
  • anúncios.

Preciso dedicar 50% do meu tempo a vendas?

Não existe uma porcentagem universal.

Um negócio que ainda não tem clientes provavelmente precisa dedicar bastante atenção à aquisição.

Mas a proporção depende de:

  • tipo de negócio;
  • volume de clientes;
  • ciclo de vendas;
  • capacidade operacional;
  • estágio da empresa.

O importante é não deixar vendas para “quando sobrar tempo”.

Veja nosso conteúdo sobre como conseguir os primeiros clientes prestando serviços.

8. Tentar vender para todo mundo

Um público muito amplo pode dificultar posicionamento, comunicação e aquisição de clientes.

Compare:

“Faço marketing para empresas.”

com:

“Ajudo pequenas clínicas a organizar campanhas digitais para gerar novos contatos.”

A segunda oferta deixa mais claro:

  • quem é o cliente;
  • qual é o serviço;
  • qual problema está sendo tratado.

Isso não significa que todo empreendedor precisa escolher um nicho extremamente estreito.

Um mercado limitado demais também pode reduzir oportunidades.

Como evitar?

Comece com um segmento que permita aprendizado e posicionamento e amplie quando houver motivos concretos.

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9. Montar estrutura maior do que a demanda

Alguns negócios assumem custos fixos antes de possuir vendas suficientes para sustentá-los.

Exemplos:

  • alugar escritório sem necessidade;
  • contratar equipe antecipadamente;
  • comprar grandes estoques;
  • assinar várias ferramentas premium;
  • investir em sistemas complexos antes de haver volume.

Como evitar?

Pergunte:

“Esse gasto é necessário para conseguir ou atender os clientes que já existem agora?”

Se a resposta for não, talvez ele possa ser adiado.

Começar enxuto não significa operar sem qualidade.

Significa aumentar a estrutura conforme existe necessidade real.

10. Achar que ferramenta resolve falta de processo

Comprar software não organiza automaticamente uma empresa.

Trello, Notion, CRM, automações e sistemas financeiros podem ajudar.

Mas primeiro é necessário saber:

  • qual processo precisa ser executado;
  • quem é responsável;
  • quando acontece;
  • qual informação precisa ser registrada.

A ferramenta deve apoiar a operação, e não substituir clareza de processo.

11. Olhar apenas para faturamento

Uma empresa pode faturar muito e ainda ter problemas financeiros.

Faturamento é o total de receitas obtidas.

Para avaliar a saúde do negócio, observe também:

  • custos;
  • despesas;
  • margem;
  • lucro;
  • fluxo de caixa;
  • contas a receber;
  • capital de giro.

Exemplo

Duas empresas podem faturar R$ 50 mil por mês.

A primeira gasta R$ 30 mil.

A segunda gasta R$ 49 mil.

O mesmo faturamento representa situações completamente diferentes.

12. Não planejar o fluxo de caixa

Lucro no papel não significa necessariamente dinheiro disponível hoje.

Imagine:

  • você presta o serviço hoje;
  • paga fornecedores imediatamente;
  • o cliente paga em 60 dias.

Durante esse intervalo, a empresa precisa de dinheiro para continuar funcionando.

Como evitar?

Acompanhe:

  • datas de recebimento;
  • datas de pagamento;
  • saldo disponível;
  • necessidade de capital de giro.

13. Depender de um único cliente

Um grande contrato pode trazer estabilidade, mas também criar concentração de receita.

Se a maior parte do faturamento depende de apenas um cliente, a perda daquele contrato pode afetar toda a operação.

Como evitar?

Acompanhe quanto cada cliente representa na receita e mantenha atividade comercial mesmo quando a agenda estiver cheia.

Isso não significa rejeitar grandes clientes.

Significa conhecer o risco da concentração.

14. Crescer sem organizar a capacidade

Mais vendas nem sempre são boas quando a empresa não consegue entregar.

Crescimento sem capacidade pode gerar:

  • atrasos;
  • queda na qualidade;
  • reclamações;
  • retrabalho;
  • cancelamentos;
  • sobrecarga.

Como evitar?

Antes de aumentar vendas, descubra:

  • quantos clientes consegue atender;
  • quanto tempo cada entrega leva;
  • qual é o principal gargalo;
  • quando será necessário automatizar, delegar ou contratar.

15. Formalizar sem entender atividade, CNAE e tributação

Abrir uma empresa apenas escolhendo a opção aparentemente mais barata pode criar problemas depois.

Entre os erros estão:

  • abrir MEI sem verificar se a atividade é permitida;
  • escolher CNAE incompatível;
  • presumir que Simples Nacional sempre é o melhor regime;
  • ignorar licenças;
  • não considerar impostos na precificação.

Como evitar?

Analise separadamente:

  • atividade;
  • CNAE;
  • natureza jurídica;
  • porte;
  • regime tributário;
  • regras municipais e profissionais.

Veja nosso conteúdo sobre como começar e se formalizar prestando serviços.

16. Pedir demissão cedo demais

Ter uma ideia promissora não significa que ela já consegue substituir sua renda.

Quando possível, uma transição gradual pode permitir:

  • validar a oferta;
  • conseguir clientes;
  • formar reserva;
  • entender custos;
  • observar se existe recorrência.

Não existe regra universal de reserva ou faturamento mínimo para sair do emprego.

A decisão depende da realidade financeira e da maturidade do negócio.

Veja nosso guia sobre como sair do emprego para empreender com segurança financeira.

17. Confundir planejamento com perfeccionismo

Planejar demais também pode impedir o negócio de chegar ao mercado.

Não é necessário esperar por:

  • site perfeito;
  • marca definitiva;
  • produto com todas as funcionalidades;
  • processos totalmente automatizados.

Ao mesmo tempo, lançar qualquer coisa sem planejamento também não é a solução.

Procure o equilíbrio entre:

planejar o suficiente para reduzir riscos + testar cedo o suficiente para aprender com o mercado.

18. Ignorar feedback dos clientes

O empreendedor pode acreditar que sabe exatamente o que precisa melhorar e acabar priorizando algo que o cliente não valoriza.

Depois das primeiras entregas, pergunte:

  • o que funcionou?
  • o que gerou dificuldade?
  • o que poderia melhorar?
  • qual parte gerou mais valor?

Feedback não significa obedecer a qualquer pedido.

Procure padrões que apareçam em diferentes clientes.

19. Não acompanhar indicadores

Sem números, fica difícil diferenciar sensação de resultado real.

Alguns indicadores simples podem ser:

  • faturamento;
  • lucro;
  • número de clientes;
  • ticket médio;
  • propostas enviadas;
  • taxa de fechamento;
  • custos;
  • saldo de caixa.

Você não precisa acompanhar dezenas de métricas.

Escolha as que ajudam a tomar decisões naquele estágio do negócio.

20. Tentar fazer tudo sozinho por tempo demais

Economizar fazendo tudo sozinho pode funcionar no começo, mas também pode virar um gargalo.

À medida que a empresa cresce, avalie se algumas tarefas podem ser:

  • automatizadas;
  • delegadas;
  • contratadas de fornecedores;
  • executadas por equipe.

Isso não significa contratar pessoas cedo demais.

Significa perceber quando o tempo do empreendedor deixou de ser o melhor recurso para determinada tarefa.

Comparativo: decisões que aumentam e reduzem riscos

Decisão mais arriscadaAlternativa mais estruturada
Investir tudo antes de venderTestar demanda antes de ampliar o investimento
Misturar caixa pessoal e empresarialControlar os fluxos separadamente
Copiar o preço do concorrenteCalcular custos, margem e mercado
Esperar clientes apareceremDefinir canais de aquisição
Comprar ferramentas antes de precisarInvestir conforme surgem gargalos reais
Olhar apenas faturamentoAcompanhar margem, lucro e caixa
Tentar atender qualquer públicoComeçar com uma oferta e público claros

Checklist para evitar erros no começo

  • Minha ideia já foi colocada diante de clientes reais?
  • Eu sei quanto custa entregar?
  • Meu preço deixa margem?
  • Consigo explicar claramente minha oferta?
  • Sei de onde virão os primeiros clientes?
  • Estou separando as finanças?
  • Conheço meu fluxo de caixa?
  • Minha estrutura está adequada à demanda?
  • Conheço os principais riscos da formalização?
  • Estou tomando decisões com números ou apenas percepção?

FAQ- Perguntas Frequentes sobre erros de quem está começando a empreender

1) Quais são os erros mais comuns de quem começa a empreender?

Entre eles estão investir antes de validar, misturar finanças, errar no preço, ignorar vendas, assumir custos elevados e não acompanhar o caixa.

2) Qual é o maior erro de um empreendedor iniciante?

Não existe um único erro universal. O impacto depende do negócio, mas decisões sem validação, planejamento financeiro ou controle podem aumentar bastante o risco.

3) Preciso validar a ideia antes de abrir uma empresa?

Sempre que a atividade permitir, testar demanda antes de investimentos maiores ajuda a reduzir incertezas. Algumas atividades, porém, exigem formalização antes da operação.

4) É errado misturar dinheiro pessoal e empresarial?

Sim, essa prática dificulta entender os resultados do negócio e organizar corretamente entradas, despesas e retiradas.

5) Como evitar cobrar barato demais?

Calcule todos os custos, impostos, despesas e margem antes de definir o preço e compare o resultado com o mercado e o valor percebido.

6) Quanto tempo devo dedicar a vendas?

Não existe uma porcentagem obrigatória. O importante é manter uma rotina comercial compatível com a quantidade de clientes que o negócio precisa conquistar.

7) É melhor atender um nicho?

Um público mais definido pode facilitar comunicação e posicionamento, mas o mercado precisa ser grande o suficiente para sustentar a proposta.

8) Faturamento alto significa que a empresa está indo bem?

Não necessariamente. Também é preciso observar custos, despesas, margem, lucro, caixa e capacidade de pagamento.

9) Preciso comprar sistemas profissionais desde o início?

Não. Ferramentas devem acompanhar as necessidades da operação. Soluções simples podem ser suficientes enquanto o volume é pequeno.

10) Como reduzir os erros ao começar a empreender?

Pesquise o mercado, teste a oferta, acompanhe custos e caixa, mantenha uma rotina comercial e aumente os investimentos conforme surgem evidências reais de demanda.

Conclusão: começar bem significa aprender sem assumir riscos desnecessários

Erros fazem parte do processo de empreender, mas muitos deles podem ser identificados antes de comprometer grandes quantidades de tempo e dinheiro.

Teste a demanda antes de ampliar a estrutura, acompanhe os números, saiba quanto custa vender e entregar e mantenha uma rotina para conseguir clientes.

Também evite transformar recomendações gerais em regras rígidas.

Nem todo negócio precisa começar como MEI, nem todo empreendedor deve abandonar o emprego depois de determinado número de meses, nem toda empresa precisa investir imediatamente em equipe, anúncios ou ferramentas.

As decisões precisam acompanhar a realidade do mercado e o estágio da operação.

Veja também nossos conteúdos sobre como empreender do zero, como validar uma ideia, como começar um negócio com pouco dinheiro e como conseguir os primeiros clientes.

Se o negócio já foi validado e chegou a hora de estruturar a operação formalmente, veja nosso passo a passo completo para abrir uma empresa.

Na Contabilidade.com, nós podemos cuidar da abertura e da contabilidade da sua empresa, ajudando você a começar com uma estrutura contábil e tributária adequada à atividade.

Falar com especialistas
Juliana Bārradas

Escrito por:

Juliana Bārradas

Atua na área de jornalismo e comunicação, com experiência na produção de conteúdo voltado à informação, à educação e ao desenvolvimento humano. Paralelamente, é psicoterapeuta integrativa, com formação e estudos em Yoga, Ayurveda e meditação. Sua trajetória une comunicação, autoconhecimento e saúde emocional, promovendo uma vida mais consciente, equilibrada e conectada ao potencial humano.

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